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O que o primeiro encontro do Circuito NR-1 revelou sobre o empresariado de Pará de Minas

O que o primeiro encontro do Circuito NR-1 revelou sobre o empresariado de Pará de Minas

Por Frederico Marinho
Consultor da Ascipam em Desenvolvimento e Performance de Equipe e um dos convidados da primeira edição do Circuito NR-1 na Prática

A primeira edição do Circuito NR-1 na Prática, realizada pela Ascipam em parceria com a OAB/MG – Subseção Pará de Minas, lotou o Espaço Multiuso da entidade. E, como costuma acontecer nos eventos da Ascipam, a resposta do empresariado da cidade foi imediata.

Fui convidado pela Dra. Lorena Camargos e pelo Dr. Silvio Barros, advogados e especialistas da área trabalhista, para abrir o Circuito ao lado do meu sócio, o Dr. Pablo Mattos. A proposta era simples: falar sobre a nova NR-1 e a inclusão obrigatória dos riscos psicossociais de uma forma prática, trazendo a experiência de quem trabalha com gestão de pessoas dentro das empresas.

Saí de lá com algumas percepções que valem ser compartilhadas com quem não pôde estar presente.

Por que os riscos psicossociais entraram na norma

Esse foi um dos pontos que fizemos questão de deixar claro logo no começo.

A mudança não nasceu do nada. Só em 2024, mais de 472 mil brasileiros precisaram se afastar do trabalho por questões de saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social. É um aumento de 68% em relação ao ano anterior e o maior número da série histórica da última década.

Foi exatamente esse cenário que levou o Ministério do Trabalho e Emprego a atualizar a NR-1 e incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, como explica o Tribunal Superior do Trabalho. Diante do custo e do volume desses afastamentos, o poder público optou por exigir que as empresas passassem a agir de forma preventiva dentro do próprio ambiente de trabalho.

Ou seja: a norma existe para reduzir afastamentos. E empresa com menos afastamento é empresa com menos custo, menos retrabalho e mais estabilidade na equipe.

A visão que levamos para o encontro

Toda legislação nova tende a ser recebida como mais um peso. É natural, e a gente entende.

Mas a nossa proposta foi outra.

Depois de anos aplicando gestão de pessoas em empresas de portes e segmentos diferentes, o Dr. Pablo, há quase 18 anos, e eu, de forma ativa há mais de quatro anos, principalmente em indústrias, vemos na prática que processos de gestão bem aplicados, dos mais básicos aos que já se apoiam em neurociência, geram ganhos nítidos — e mais rápidos do que a maioria imagina.

Foi essa visão que tentamos trazer: olhar a NR-1 menos como uma obrigação e mais como um empurrão para algo que a empresa já deveria estar fazendo.

O que percebemos na sala

Aqui vem a parte que mais me chamou atenção.

Não faltou conhecimento da lei. A sala conhecia a legislação, pelo menos em parte. Havia advogados e profissionais de segurança do trabalho presentes, e eles foram bastante enfáticos em pontos específicos da norma.

Esse não é o gargalo.

Faltou experiência em gestão de pessoas.

O que percebemos é que muita gente ainda não viveu, na prática, o quanto uma gestão de pessoas efetiva dá resultado. E, principalmente, que esse resultado é de médio e longo prazo.

Para empresas que nunca fizeram nada nessa área, a curva de aprendizado e a curva de retorno são maiores. Não existe resultado de curtíssimo prazo aqui, e ser honesto sobre isso é parte do trabalho.

E existe angústia.

O empresário está se sentindo desamparado diante do acúmulo de exigências, e as perguntas do encontro deixaram isso muito claro. A gente entende perfeitamente. Mas a lei precisa ser cumprida e, por isso, preferimos gastar o tempo falando do “como”, em vez de discutir se a norma é justa ou não.

Foram perguntas válidas e serviram como termômetro. A Dra. Lorena e o Dr. Silvio saíram do encontro com bons insumos sobre o que o empresariado local realmente precisa ouvir nas próximas edições.

Da área da saúde para dentro das empresas

Apresentamos também a solução desenvolvida pela HD Solutions para apoiar as empresas na adequação à NR-1, e vale explicar de onde ela veio.

A plataforma começou a ser desenvolvida para aplicação em hospitais, voltada à detecção de doenças e ao mapeamento de áreas de estresse no corpo. Ao adaptá-la para o mercado corporativo, mantivemos a lógica de origem: primeiro a saúde da pessoa, depois a produtividade.

Na prática, a ferramenta aplica o questionário exigido pela norma, faz o levantamento dos riscos psicossociais, aponta quais setores e áreas da empresa concentram mais risco e, a partir do que foi detectado, sugere as ações.

Compartilhamos alguns relatórios gerados pela plataforma ali mesmo, durante o encontro.

O efeito em cadeia é o que interessa: menos afastamentos, melhor relação entre empresa e colaborador e melhor convivência entre os próprios colaboradores.

Isso se traduz em resultado, ainda que seja, reconhecidamente, difícil de mensurar no curto prazo.

Pessoas são diferentes. E isso muda tudo na gestão

A parte mais prática do encontro veio pelo lado da neurociência, e o ponto central foi esse: as pessoas querem coisas diferentes.

Nem todo mundo tem grandes objetivos de vida.

Tem colaborador que quer crescer sempre, buscar mais, evoluir. E tem colaborador que quer trabalhar bem, voltar para casa e ter uma vida mais tranquila.

Nenhum dos dois está errado.

O erro é gerir os dois da mesma forma e depois estranhar que um deles esteja desmotivado.

O exercício que deixamos para o dia seguinte

Terminamos o encontro com uma tarefa prática, para começar já no dia seguinte.

E ela não custa nada, nem depende de ferramenta nenhuma.

1. Perceba como você chega nas pessoas

Preste atenção no seu próprio jeito de falar, de pedir, de cobrar, de entrar em uma sala.

A gente costuma achar que está sendo tranquilo, sensível, até carinhoso na hora de conversar, quando, na prática, está impondo.

E a mesma frase que soa leve para você pode chegar dura e pesada para o outro.

Isso não é falha de caráter. É diferença de percepção. Mas só dá para corrigir depois que você enxerga.

2. Observe como as pessoas reagem a você

Esse é o outro lado, e é o mais revelador.

Às vezes, só de você entrar no ambiente, o clima muda. As conversas param. As pessoas se ajeitam na cadeira.

Saber que efeito você causa nos seus colaboradores é um dos pontos mais importantes de qualquer trabalho sério de gestão de pessoas — e um dos menos praticados.

Se ver como pessoa, se ver como profissional e enxergar como os outros reagem a você: é por aí que começa.

Esse exercício vem diretamente do nosso trabalho, que nasceu na área da saúde e se apoia na neurociência, e é o primeiro passo de uma gestão de pessoas voltada à saúde e à otimização do trabalho da equipe.

Depois disso, dois movimentos seguem naturalmente: fazer o levantamento formal dos riscos psicossociais, que mostra quais setores da empresa estão mais expostos, e tratar tudo isso como projeto, e não como tarefa.

Porque gestão de pessoas não entrega resultado em 30 dias. E é exatamente por isso que, quanto antes começar, melhor.

O Circuito continua

Essa foi só a primeira de todas as edições mensais previstas até o fim de 2026.

O Circuito NR-1 nasceu para manter o empresariado de Pará de Minas atualizado sobre as mudanças na legislação e, pelo que vi na primeira noite, o formato acertou a dose entre informação técnica e aplicação prática.

Meu agradecimento à equipe da Ascipam e à OAB/MG – Subseção Pará de Minas pela organização, pela acolhida e pelo convite.


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